quarta-feira, 27 de julho de 2011

“No rehab”



Eu, Suamy Soares, estou me sentindo meio estranha hoje. Realmente “a historia só se repete ou em farsa ou em tragedia”…
A morte prematura e já anunciada de minha diva Amy Winehouse me fez repensar a vida, a morte e a loucura. Sim. Morre a mais louca de todos os tempos. E a loucura é um suspiro de vida na chatice do mundo...
Quanta vida ela viveu? E eu, quanta vida já vivi? 27 anos e uma desvairada vida, e eu 28 e uma vida medíocre...com profunda ausência de devaneio e uma fatídica racionalidade docente. Eu preciso de uma reabilitação ao contrário...preciso ser possuída pela devassidão de Amy...
Quanta paixão e rejeição estavam contidas em tua voz rouca?
E se a loucura extrapola a arte e a genialidade?  E se as angústias, o tédio e a melancolia não cabem dentro de você? E se a bebida torna as pessoas mais interessantes? E se for melhor viver anestesiado da insuportabilidade da vida? E se a loucura corrói a vida? E se a lascívia vence a racionalidade careta? E quanta lascívia ela tinha...e eu?
Quem nunca quis ser a Amy? Pelo menos um dia? Quem nunca quis um dia de loucura? Uma vida de loucura? Um carnaval eterno? Uma cotidiana embriaguez? Atire a primeira pedra quem nunca definhou por uma paixão ou até pela falta de paixão...quem nunca caiu bêbado? Quem nunca quis enterrar seu próprio coração? Eu mesma queria escurecer meu coração e trancafiá-lo a sete palmos de terra...e continuar livre, leve e solta...E viva.
Quem não desejou um pouco mais de loucura, tumulto e rebeldia? Sair por aí, bêbada, de pés descalços e maquiagem borrada... Isso sempre me excitou na mais louca ícone pop de todos os tempos... Afinal: eu gosto é de desordem...eu gozo com a polêmica...Eu quero é liberdade...aliás o que eu quero ainda não tem nome...
De certa forma – assim como Amy - também me recusei a reabilitação... somos duas almas perturbadas, amedrontadas...atormentadas...”Eu não vou!!!”
Quem precisa de reabilitação? Seria ela ou esse mundo caótico... Não sei...o fato é que ela se foi...
O fato é que todos os pais e mães querem nos colocar numa clínica de reabilitação... Os bêbados, os maconheiros, os gays, os artistas, os loucos...as anomalias...todos nós estamos na mira da reabilitação...”No Rehab”...”eu não vou para a clínica de reabilitação”...No!!!
Daí aparece milhares de pessoas nas redes sociais fazendo piada com a morte de Amy...e tentando a partir de sua morte catequizar todos nós...reabilitar todos nós...”vejam como ela era e não seja assim”...
A brincadeira com a morte prematura de alguém denota o esgotamento do sistema metabólico do capital....não tem graça alguma...
Heloísa você tem toda a razão. Eu realmente sou Su’Amy Whinehouse... Apenas não ouso despertar essa minha faceta de insanidade...Tenho medo da clínica de reabilitação...tenho medo de meus pais...
Como diria Mario Quintana: “há noites que eu não posso dormir de remorso por tudo o que eu deixei de cometer”
O mundo fica menos desvairado... mais cinzento e careta. É isso mesmo Amy: “Se expor é fazer história”. Fique em paz... coisa que nesse mundo conservador, retrógrado e ridículo você nunca conseguiu...nem eu...nem você que esta lendo esse desabafo...
O que me resta agora é...
Em sua homenagem tomar uma Skol...
Viva a insanidade, a volúpia, a luxúria...brindemos a vida que nos sobra e a Amy faltou...
Mossoró, 23 de julho de 2011. Sábado nublado e triste.