segunda-feira, 1 de abril de 2013

Tempos difíceis


Hoje acordei com o chefe de pé ao meu lado. Veio me visitar. Não levantei as minhas vistas para que não percebesse o lixo humano em que eu tenho me transformado. A visão do meu quarto expressa isso, com roupas no chão, livros amontoados, garrafas de cervejas espalhadas, restos de cigarro... Restos de mulher. Às vezes eu queria sumir. Acho que estou enlouquecendo.
Logo depois começou a tecer um enredo que todos têm vontade de me dizer:
 - Você está com problemas! Só te vejo ressacada. Você está debilitada. Precisa ir ao psicólogo ou até psiquiatra.
A sentença conservadora martela:  Está com problemas.
Sentenciou finalmente: - está com problemas com álcool.
Só tive forças para responder: - vou fumar um cigarro.
Não tenho problemas com álcool. Tenho problemas com a sobriedade. É insuportável está sóbrio. Deixa-me espaço para reflexão e pensar é trágico. Todos querem dizer o que eu devo ponderar e fazer, por onde devo andar ou não, como devo me vestir e me comportar. Todos querem me normatizar. Eles querem que eu tenha um diploma  de bom comportamento. Isso me apavora.
Um lexotan por favor! Pode ser misturado com uma dose de vodka e duas pedras de gelo. 
Seria pedir demais ser amada ou pelo menos incensada?
Mas como podem me amar se nem eu tenho esse sentimento por mim. Estou me sentindo tal qual a Balada da arrasada: “arrasada, acabada, maltratada, torturada, desprezada, liquidada, sem estrada pra fugir”.
De fato eu busco toda noite algo para me divertir. Não encontro. Mas eu só queria alguém para me ouvir, dormir ao meu lado e me oferecer um abraço, mesmo que ele não seja sincero.
Será que se eu morresse alguém iria se importar? De verdade. Acredito que não.  Sou apenas uma bêbada com um cigarro na mão e o Marx na cabeça. Tempos difíceis... talvez perdidos..com gosto de morte. Que sentido tem viver sem sentido? Cansei.

Cansei de ilusões. Partindo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário