quinta-feira, 30 de junho de 2011

Onde estão as pessoas interessantes?

Às vezes eu penso que tenho algum problema... Por que não consigo passar mais de três encontros com alguém? Seria uma espécie de maldição do quarto encontro? Ou incompetência? Frigidez? Muita vontade de dá certo? Será que sou exigente demais? Ou está faltando pares no mercado?
Realmente não sei...
Tenho convicção de que não sou uma mulher feia, relativamente interessante, engraçada, descolada, independente, milito nos movimentos sociais, danço bem, saio nos fins de semana, faço mil coisas ao mesmo tempo, tenho bom gosto musical, curto arte, praia e cachoeira...faço trilhas, entendo de política, economia e massoterapia, sei cozinhar, não quero casar, e sou apaixonada por futebol...o que alguém pode querer mais?
Uma pausa!! A realidade me puxou o tapete, pois quase todas as minhas amigas solteiras tem a grande maioria dessas características e até outras mais interessantes. O que há? Essa semana a mais linda – e glamourosa - de todas postou no facebook: “vamos fazer um pé de meia para frequentar os cruzeiros da terceira idade, porque casar esta difícil”. Me deu um verdadeiro desengano. Minha vida se destemperou – pelo menos a afetiva.
É um problema crônico... Todo mundo está louco atrás de alguém interessante.
Não que eu queira casar. Eu não quero... mas desejo ter alguém interessante ao meu lado para dormir agarradinho de vez em quando, rir de bobagens e ficar entediado. Quero alguém que me ligue nas noites de segunda para planejar as férias, combinar de ir ao show de Chico, ou apenas comentar amenidades.
Não precisa ser rico, bonito, espetacular, poético...não precisa ser o Brad Pitt ou o Tiago Lacerda, quero apenas alguém interessante. Meu reino por alguém interessante.
Estava pensando esses dias: onde estão as pessoas interessantes? Por que não encontro mais? Será que todas estão casadas ou em casa extenuadas de procurar outras pessoas interessantes?
Já procurei em barzinhos, shows, shopping, universidades, boates, praias, cidade grande e pequena, camping, nos meus sonhos...já tentei os descolados, os alternativos, os engomadinhos, os intelectuais, os marombeiros, os forrozeiros... e nada.
Penso que essa escassez de gente interessante tem haver com a lógica pós-moderna, sim, claro que tem, vive-se a sociedade do espetáculo, da efemeridade, do superficial, do supérfluo... Tudo é tão rápido quanto a manchete da Revista Caras. É isso? É a lógica cultural do capitalismo tardio? Ou será o pós-feminismo que faz as mulheres serem tão descartáveis quanto um lenço de papel? Ou seria culpa do empobrecimento cultural das décadas de 1980? Não encontro uma resposta clara... Como ser interessante nesses tempos de barbarização da vida social?
Será que o marxismo me enlouqueceu? É melhor parar com essas divagações regadas a abandono e voltar às leituras marxistas.  
Quem tiver respostas para essas questões: e-mails para essa cronista do pessimismo da razão.

5 comentários:

  1. me identifiquei geral óh..
    infelizmente não tenho palpites sobre as respostas para essas indagações, nem sobre a questão principal, mas os motivos realmente vc explicou super bem!
    na maioria das vezes sou bastante pessimista em relação as coisas, mas nesse sentido ainda me resta significativa esperança.. de q pessoas me surpreendam, e com um pouco de sorte, q sejam as interessantes!

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  2. Realmente sou meio pessimista...ou pessimista e meio- não sei...vou escrever sobre política que eu entendo mais..kkkkkkkkkkkkkk.obrigada pelo post

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  3. Oi colega... Adorei o texto e concordo com a resposta que você mesmo dá ao seu questionamento, deve ser sim a fragmentação nas relações devido ao chamado capitalismo tardio que Baumam fala tão bem, aspecto esse que acarreta diretamente na construção da identidade das pessoas, que passam a ser sujeitos frios, egoístas que passam a se encontrar apenas no seu mundo, diria por que não um modelo de um narciso moderno, consciente de seus estilhaços, buscando apenas o reconhecimento que a modernidade requer.
    Mais colega não se preocupe tudo ocorre ao seu tempo, esses questionamentos surgem mesmo, não é só você que experimenta dilemas, pelo próprio contexto em que vivemos eles são "normais"...
    bjus...

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  4. nossa, muito lgl esse texto. essas questões de afinidade, afeto e interesses... podem ser complicadas,mesmo. n sou um vasto comhecedor das 'mudaças socias' mas vejo que se vende um estilo de vida futil e ilusório (acho que sou pessimista tmbm Rs) que para mim n faz muito sentido, mexe com a cabeça das pessoas e dá nisso. contudo, sei que ainda existe pessoas interessantes por ai e espero que vc às ou a encontre... Rsrs.
    abraço.

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  5. Ainda estou esperando a década ou século das pessoas interessantes. Antes da emancipação da mulher eu não acredito que elas existiam, hoje, elas não existem. Certamente estão por vir.

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