quinta-feira, 26 de maio de 2011

Mulheres inteligentes. Escolhas insensatas. Sina ou construção social?

Parece-me que as mulheres têm um verdadeiro fascínio por amores impossíveis e por homens que possam ou estejam à espera de ser salvos. Eu mesma tenho uma propensão a romances fadados ao fracasso. É impressionante!
A minha lista de desilusões é imensa e com muitas variações: garotos do ensino médio, gays, casados, recém-separados, garanhões, com desvio de conduta – que são os impressionantemente mais divertidos -, sedutores incorrigíveis, desempregados, intelectuais, emocionalmente fechados e quarentões com personalidade infantil. Aff!! Cheguei a pensar que tinham colocado alguma espécie de macumba ou maldição em mim. Será que meu nome está na boca de um sapo? Seria um dedo podre? Ou falta de sorte?
Definitivamente não é isso!
Se paramos para pensar, até as mulheres mais inteligentes sofrem deste romantismo escravizante. As maiorias das minhas amigas, inteligentes e bem sucedidas estão mal casadas ou em relacionamentos sem sucesso de público e crítica. Será que existe a possibilidade – concreta – de ser mulher, bem sucedida profissionalmente e ter um relacionamento estável e feliz, ou esporádico e desencanado?
Comecei a reconstituir em minha memória quantas vezes presenciei minhas amigas chorarem até ficar deformadas e jurar compulsivamente nunca mais voltar para aquele gostosão que a traiu, ou que não corresponde as suas expectativas, e alguns dias depois eu encontrá-las no restaurante, felizes da vida, com o dito cujo a reboque. Quantos conselhos amorosos desperdicei com amigas, ou, desperdiçaram comigo, e, fez-se – exatamente - tudo ao contrário do aconselhado, ou ainda quantos planos mirabolantes já fui envolvida ou arquitetei. Inclusive repensei quantas vezes esperei ligações em vão, ou postei frases para denotar minha felicidade, ou ainda, passei o dia inteiro online no msn, Orkut, facebock, twitter, badoo esperando para falar com a figura inutilmente.
É preciso cair na real, mulherada acorda!!! Eles sempre sabem onde nos encontrar, tem conhecimento de nosso telefone. Quando alguém quer ficar com você, não tem distância, filho doente, ex-mulher psicopata, enterro do avô, outro relacionamento, problemas financeiros, emocionais, ou de saúde... Quando se quer de verdade se forja o encontro. Se até as pedras se encontram, por que ele não te encontrará? Vamos nos libertar!!!!
Fico refletindo – cotidianamente - será que gostamos de sofrer? Evidente que não. As mulheres não gostam de sofrer, na verdade ninguém o gosta - com clara exceção dos apreciadores de Restart, o que agora não vem ao caso. A centralidade da questão é que fomos socializadas para idealizar um homem perfeito, cheio de qualidades e beleza, que cavalga em um cavalo branco e salva a donzela em perigo. Um homem que por ser forte e viril não pode expressar o que sente e por isso devemos salvá-lo de sua racionalidade e encaminha-lo as emoções mais profundas. Esse blá, blá, blá amplamente divulgado pelo romantismo do século XIX, e, consolidado pelas novelas, se materializou em nossas vidas e formatou uma imagem de mulher cuidadora, sempre apta a escutar, compreender e acolher o homem amado, já que é dotada dos mais puros e nobres emoções.
Nosso jeito de ser, se comportar, pensar e sentir foi moldurado numa lógica de submissão, cuidado, emotividade, e, espera. Por isso esperamos tanto o príncipe encantado. Até porque a Branca de Neve não se casou com a Cinderela, nem tampouco, a Gata Borralheira fez carreira, e, ficou sozinha aos 40 anos, a Chapeuzinho não transou com o Lobo mau, e, a protagonista da novela das oito não arrasa o coração do Mocinho. Todas as princesas casaram e viveram felizes para sempre. Nós que somos anomalias, nós, que queremos emancipação, que somos doentes e histéricas. Já dizia o Nelson Rodrigues: “as neuróticas reagem”.
Tudo isso faz com que a gente justifique e naturalize as piores ações masculinas, minimize a nossa capacidade intelectual, esconda publicamente a nossa conta bancaria mais recheada do que o companheiro para não humilhá-lo, ou pior, fique com um ogro –péssimo de cama- por medo de não encontrar alguém e ficar solteirona, entre tantos outros absurdos que devemos superar dialeticamente.
Companheiras!! O fato é o seguinte: príncipe encantado não existe, e, toda essa retórica, faz com que agente se boicote.

3 comentários:

  1. Adorei esse texto. Amiga, tu escreve bem demais!!

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  2. MuitooOOoo bOm!Só não gostei do "agente"!!!

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  3. Isto mesmo! Temos que nos libertar desta dependência emocional que muitas vezes atrapalha nosso bem viver. Somos capazes de ser felizes independente do homem.

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