quinta-feira, 5 de maio de 2011

Apenas saudades de Recife...

Ultimamente tenho me sentido estranha. Falta-me algo. É um sentimento sedicioso, esvaziante e de extrema falta. Uma nítida, e, ao mesmo tempo dúbia, sensação de não ser nada. Passa tanta coisa em minha cabeça que não consigo dar conta de analisá-las, ou pelo menos digeri-las... Por que vim parar aqui? E, por que a realidade posta é tão coloquial e desprovida de beleza?
Estou com uma angústia inenarrável, é como se o ar estivesse faltando aos pulmões, tento respirar e não consigo. Absolutamente, quase nada, fica explícito ou belo. As manhãs rompem dia após dias, e, eu continuo a desejar uma cerveja poética, um cigarro inspirador e uma conversa sobre amenidades na Rua Aurora. É puro desengano. Queria passar o dia prostrada nessa rede escutando Chico Buarque e me deixando corroer pela melancolia, mas não tenho tempo para choramingar. Isso é abissal! Só escrever me acalma.
Isso é uma verdadeira disritmia. Mas, afinal, o que falta?
 Penso que seja o cheiro, o gosto e a vida de Recife.  Falta mar, aventura e fim de tarde na bucólica Rua Aurora... Até a tristeza tinha mais poesia na Veneza brasileira... O meu sol sertanejo precisa de Boa Viagem, meu espírito inquieto do Recife Antigo, e, minhas gargalhadas das ladeiras de Olinda.
Um cigarro, por favor! Ah, deixei meus vícios menos danosos...
Essa cidade é insípida, inodora e incolor. Falta o colorido e o caos metropolitano, sinto como se estivesse vendo tudo em preto em branco. A minha alma sapeca, boemia e vagabunda precisa ser embaraçada pela poética recifense. Saudades viscerais.
Tanto tempo em Recife me trouxe emoções inexplicáveis, ilógicas, profundas, contraditórias, enfim, sentimentos e histórias que ficarão eternamente nas minhas fotos, guardados e lembranças mais íntimas. Foi muita poesia, política, música, liberdade, radicalidade e desordem.
Na minha mente tão congestionada sempre vai ficar o velho Recife e minhas peripécias com Will, Monica e Heloisa, ou das aventuras com Valzinha nesse fantástico mundo desconhecido, das poéticas e embriagadas conversas com Verônica, e, das divagações filosóficas com Silvia.
 Sempre guardarei as lembranças das bebedeiras no Point Bar, e, da volta para casa na bicicleta de Dea... Existia uma poética nas loucuras perpetradas por mim, Manu e Adili no Cavanhaque, nas jogatinas no Margarida. Havia revolução em tudo, nos debates, nas conversas com Celso, nas risadas de Tati...nos palavrões que ensinei a Fiorela...e principalmente nos papos de madrugada com João.
Era muita subversão, desordem e rebeldia. A imagem de Alê e a que vos escreve empurrando um fusquinha em pleno Antigo e das gargalhadas proferidas na companhia de Chico e Dudu, é a lembrança de uma Suamy que acho não existir mais.
Estou como uma criança que não quis embora do parque de diversão, mas foi coagida. Tenho que exorcizar esses sentimentos ou reavivá-los.
Mas como? Se existe um laço inexplicavelmente forte, encantadoramente simples, e, de pura luxúria com Recife. Tudo por lá, por mais simples que seja, é festa completa e profunda boemia... Como diria o velho Chico: to me guardando pra quando o carnaval chegar!

Um comentário:

  1. Parabéns chorei,rsrsr embora a saudade é tanta descobrir que pesquisando a saudade das outras pessoas poderiam diminuir a minha,infelizmente isso n aconteceu rsrrs que bom,Recife na veia.... um dia gostarei de voltar e cantar "voltei recife foi a saudade que ne trouce pelo braço"kkkk


    Obrigado!!!

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