terça-feira, 5 de abril de 2011

Para sempre Cazuza...

Hoje voltei a fumar...sim...
Hoje voltei a fumar... Na verdade o cigarro é a coisa mais saudável que podia me acontecer nesse momento, pois sinto que viver está acabando com minha saúde, felicidade e poesia. Se é que algum dia eu as possui ou fui possuída por elas.
Toda essa melancolia se abateu sobre mim quando abri minha agenda, e me defrontei com a data importante – o aniversário de Cazuza. Por que essa data seria tão relevante para mim? Simples como um cartão postal, o poeta exagerado sintetiza toda loucura que um dia desejo extravasar.
Comecei a me envolver com seu jeito mutante de ser quando o escutei pela primeira vez...sua voz parecia um convite a luxúria e a insanidade. Apaixonei-me. Não como adolescente. De modo algum, minha paixão por Cazuza foi sexual e animalesca. Depois de algum tempo descobri que ele não gostava de seu nome e isso nos conectou fortemente. Afinal, eu rejeitava meu nome porque achava que ele não me descrevia. Ele era calmaria e eu vendaval. Um verdadeiro ciclope, uma tempestade, uma ressaca? Não um tsunami. 
De fato, sempre houve um laço visceral entre minhas divagações e o Cazuza, entre sua rebeldia perturbadora e o meu desejo – incontrolável – pela desordem.  Sempre me excitei pelo lixo noturno, a cara deslavada do cinismo e da ironia, e, principalmente, por minha crescente capacidade de me entusiasmar com a repulsa que posso causar as mentes conservadoras. Sem esforço algum – sempre - gozei com a insolência, a petulância, o atrevimento. Como dizia a homilia disciplinadora: sempre pequei pelo gozo ao enxirimento. Essas coisas que revelam nossos sentimentos mais íntimos e às vezes até pérfidos.
Neste emaranhado de coisas que querer sair de nossa boca ou entrar ... em nossas cabeças, o Cazuza sempre me conectou a poesia mais sórdida e extravagante que há no mundo.  Se vivesse seria quase um sexagenário, e eu, quase uma balzaquiana...
 Mas o que me faz sentir tão entristecida? Qual a relação existente entre aquela que não ouso despertar e o Cazuza?
Há uma extrema vontade de gozar a vida, de fumar a última piuba de cigarro encontrada em qualquer cinzeiro abandonado numa mesa desconhecida, de amanhecer numa esquina além-mundo proclamando declarações de amor tão verdadeiras quanto uma alucinação branca...ou seria multicolorida?
Não sei.
Só sei que às vezes me deparo como o Cazuza na porta de alguém pedindo colo, consolo, sexo, cigarro ou simplesmente fogo para continuar tecendo ilusões amargas e sorrisos dignos de Oscar. E, que quando abraço o mundo com as pernas, ou lambo o chão da noite, ou me desespero com a caretice patética de um sexo comportado com meu príncipe encantado, não sei se sou eu mesma ou se é apenas a mulher que projetei em minhas fantasias.
Como o Cazuza também disponho em meu arsenal bélico de uma metralhadora cheia de mágoas, mas o alvo primordial de minha balas – de festim - é a mulher balzaquiana que estou me transformando...será que Ele encaretaria?
Apenas sei que - assim como o poeta - também chegará o dia que cantarei blues e sentarei em frente à praia de Boa Viagem - com velhos novos amigos ou completamente sozinha - relembrando como fui profunda, fugaz, evasiva, hostil, aleive, verdadeira...e estarei pronta para seguir na vida tecendo grandes relações que durem eternamente uma noite, e, a disposição para fumar o último cigarro e beber um ultimo gole de cerveja... Escutando um tango, beijando uma dama de vermelho e rebelando-se cada vez mais.
 

Salve, Salve Cazuza...

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