quarta-feira, 20 de abril de 2011

Bar de Ilusões

Hoje tive uma percepção terrível. Observei-me numa mesa de um bar lotado e comecei a fazer indagações filosóficas sobre a juventude, a solidão e a felicidade. Senti um profundo vazio naquele lugar cheio de bebida, música e risos. Toda aquela “felicidade” levou-me a refletir sobre minha infelicidade, enquanto o cheiro de cigarro incensava a tudo e a todos.
Será que a juventude está me abandonando? Todos são tão felizes o quanto aparentam nesse bar? Ou tão descolados e poderosos? Afinal, que juventude é essa? O que pensa essa galera? Porque não consigo ver verdade nessa felicidade do bar da Cidade Universitária, e, muito menos, liberdade nessa mistura de drogas, sexo e marxismo acadêmico? Será que estou “encaretando”?
            Todos querendo ser os mais belos, libertários e sábios, disputando entre si pelas coisas mais toscas, conversando sobre as mais absolutas e profundas idiotices, e, gargalhando das piadas mais bobas e dos dilemas mais rasos. O que é melhor: casar ou comprar uma bicicleta?. E o Chico cantando ao fundo inutilmente. Ninguém o escuta.
            CANSEI! Já são altas horas. Todas as luzes da rua começam a ser apagadas e a roda dos assuntos não muda. Marxismo de bar, orgias pós- carnavalescas, MST, mais piadas bobas e gargalhadas mais sonoras e vazias... Traz mais uma cerveja! A solidão de uma “galera acompanhada” torna-se cada vez mais nítida. O samba tocando, os aviões passando e a minha sobriedade me crucificando. E nessa passada mais uma noite se esvai, e, morte se aproxima. 
            Talvez minha alma triturada de experiências tristes não consiga mais divagar por essas ruas mundanas. Ou tenha perdido a ilusão de encontrar alguém com mais profundidade do que um copo cheio de cerveja. Talvez eu precise me embriagar para ficar tão descolada, jovem, feliz, etc, etc, etc, como a galera do bar. Talvez eu deva fazer tal qual o cineasta Oscar Wille e beber para tornar as outras pessoas mais interessantes, tendo em vista que o álcool reduz consideravelmente nossa capacidade de ter censura.         
             Não.
             A única coisa que senti foi uma vontade inenarrável de chorar.
            Chorar e andar pelas ruelas nefastas da Veneza brasileira pode ser uma terapia bem interessante. Tantos rostos anônimos. Tanta cidade a ser explorada e gente a ser conhecida, e, eu com esse gosto de solidão levemente temperado por um cigarro que eu não cheguei a fumar.

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