sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Onde está a utopia?

Assistindo o último debate das eleições de 2010 juntamente com duas amigas do mestrado surgiu uma discussão interessante: a cearense diz: - minha gente nós votamos no cara que tem 1%, somos um por cento da população brasileira, ou seja, somos a minoria da minoria. E, a pernambucana retruca: é porque a maioria das pessoas desacreditaram na utopia. Quase que imediatamente instalou-se na pequena sala do apartamento uma angústia perceptível e logo após todas fomos dormir.
Aquelas palavras ecoavam na minha mente durante a noite toda, e, depois por dias a fio: desacreditaram na utopia! Ficava pensando em como seria angustiante e vazio viver deprovido de utopia. Dessas divagações filosóficas na madrugada comecei a perceber como eu me sentia deslocada no mundo, e , a pensar se existiriam outras pessoas - fora alguns amigos ex-petistas- que tivesse um sentimento parecido.
É incrívelmente angustiante fazer a constatação de que se sente deslocada do mundo.
Isso mesmo! No auge dos meus vinte e poucos anos sinto-me fora dos circuitos da moda, seja eles acadêmicos, musicais ou políticos. Certas noites me paira uma angústia inconformável com a constatação de que cada vez mais estamos diante da morte das utopias, e, corroboro com Humberto Gessinger quando afirma – sabiamente - que a juventude é uma banda numa propaganda de refrigerante.
Onde está a vontade de mudar o mundo, as relações “caretas”, as normas da sexualidade, o sistema, o bairro, a vida? Por onde se perdeu a vontade de revolucionar a sociedade e reconstituí-la? Onde está os/as socialistas, comunistas, hippies, feministas, marxistas? Onde está nosso velho novo entusiasmo de ter esperança?
A juventude está envelhecendo rapidamente entre tardes nos shoppings e as drogas lícitas e ilícitas, e eu não me ponho fora dessa roda viva da ilusão capitalista. Perdeu-se a vontade – e talvez, até mesmo, a capacidade - de organização, seja no movimento estudantil, de bairro, feminista, negro, LGBT, ou nos partidos políticos, ou ainda na militância socialista, comunista, anarquista. Pior do que isso, perdeu-se a esperança de ver contruído um mundo novo, igualitário e fraterno, ou pelo menos um mundo menos desigual.
Caimos na tentação burguesa de pensar a sociabilidade humana a partir do nosso umbigo, das nossas aspirações de consumo, do nosso individualismo burguês e todos os (des) valores produzidos por esse modo de produção.
Fomos presos pela ideologia do imediato, da aparência e do superficial, e por isso, não temos mais sonhos coletivos, nossos sonhos são todos individuais - meu carro, minha carreira, minha casa, meu computador, meu marido, minha mulher, meu (a) filho (a)...tornou-se uma esterelidade intelectual, uma falta de sobriedade, uma avareza de racionalidade, um artigo de brechor pensar no plural.
Os sonhos no plural estão morrendo...a sociedade do singular se reproduz todos os dias numa juventude selvagem, com a profundidade de um copo de cerveja e repleta de rostos anônimos em multidões perdidas ao som do axé, e, em um vazio incomensurável. A juventude da solidão do singular.
Para quais caminhos essa sociabilidade nos leva???? Parece-me operativo resgatar do fundo do báu - e com cheiro de naftalina - a nossa velha nova utopia perdida. Por isso o "marxismo é um pensamento dramaticamente atual".

Um comentário:

  1. Amiga Parabéns pelo blog...sou uma prestigiada por ter amigas tão talentosas com as palavras como vc! Parabéns...de verdade!
    Tathy

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