terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Angústias de um educador

Nos últimos anos tenho movimentado minhas energias para refletir sobre a educação. E, confesso, não tem sido uma tarefa prazerosa, pelo contrário, tem me tirado o sono, o apetite e a esperança.
Tecer essas análises tem proliferado meus cabelos brancos e angustiado minha alma, de uma forma inesperada. Sinto que ver o mundo de forma crítica é como estar pelado no Alasca... Desesperador.
A educação sempre me conectou ao belo que há no mundo, mas, há tempos venho me decepcionando com a prática docente. Tenho me deparado com uma estagnação filosófica amarga entre educadores (as) e educandos (as). Nada me consola e me devolve a embriaguez da docência. 
Em primeiro lugar, tenho me sentido como uma mercadoria, um instrumento para processamento de dados, uma tradutora de teorias, um aterfato técnico; não mais um fio condutor de diálogo, ou, um redemoinho de reflexões filosóficas. Há algo de podre no Reino do conhecimento. Não sinto o encantamento e a mística libertadora da cadência do saber. Meu olho não brilha mais... Meu fogo acabou. Marx onde está a gasolina?
Transformei-me em uma adestradora. É isso mesmo, adestro pessoas à lógica do capital. É isso? É puro controle social? Não sei. O fato é que ensinar deixou de ser arte, poesia e revolução. Não tenho tempo para sonhar. Tenho que publicar enlouquecidamente, pesquisar todo semestre, ministrar várias disciplinas, orientar, ser exemplo de conduta... Incorporar novas tecnologias que mudam cada vez mais rápido... publicar, palestrar, dar cursos, participar de seminários, simpósios, eventos...pesquisar...publicar...dar aula...tudo tão rápido que não tenho tempo para pensar, escrever, e muito menos gozar. A docência me robotizou... Sugou até a última gota de poesia. E como viver sem poesia?
A cada dia eu escrevo o que já escrevi, repito os exemplos já proferidos... reparto o conhecimento em milhares de pesquisas...trilho caminhos que já percorri...UMA PAUSA!! Provas a corrigir... artigo para (re)publicar...Durmo e acordo pensando em qualis A, em publicação internacional, blá, blá,blá...a técnica se depura cada vez mais...me tecnifico em escrever coisas banais, disputo com meus pares para alocar recursos, consumo filosofia de boteco...e o bicho papão me persegue nos meus sonhos e grita: publique ou pereça!!!!
Não sei se sou feliz... Não tenho tempo para ser feliz. Como diz Chico: “[...] Todo dia eu só penso em poder parar, meio- dia eu só penso em dizer não, depois penso na vida pra levar e me calo com a boca de feijão...”
Nessa roda viva da construção do conhecimento a universidade se expande, os universitários se proliferam feito verme em carne podre, o mercado subordina a filosofia e a arte, o conhecimento se transforma em instrumento de tutela social e os professores são expropriados de seu saber. É uma  macdonização do conhecimento...“ uma expansão em que as coisas crescem para menos”.
E eu?
...Finjo nada disso saber e atesto minha carta de bons antecedentes ideológico, dia após dia.

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